
A NOITE EM QUE DANCEI COM JANUÁRIA
Sempre me recordo da minha adolescência com muita alegria. Meus anos adolescentes foram cheios de pureza e ternura. Dentre tantos acontecimentos maravilhosos, estão minhas desventuras de rapaz feio, poeta e apaixonado. Morava no interior num lugarejo que caberia numa caixa de sapatos, onde todos conheciam a todos, um lugar maravilhoso para quem gostava de sonhar e escrever como eu. Aos treze anos me apaixonei perdidamente por uma jovenzinha lindinha chamada Januária, disparado era a menina mais bonita da região. È impressionante como eu consegui viver momentos inusitados por causa deste amor. Não sei mais onde ela está, mas sempre me lembrarei com carinho dela.
Nesta história de amor só havia um que amava, eu. Ela não poderia gostar de mim, afinal, ela estava fadada ao sucesso e eu a uma vida tão incerta como a direção das folhas que são levadas pelo vento. Não irei falar das muitas e muitas situações cômicas em que este amor me levou. Quero falar sim de uma noite em particular. Minha timidez era reconhecida por todos, tanto que todos sabiam que eu era apaixonado por ela, inclusive ela é claro, mas jamais tive a coragem suficiente de investir neste amor. Januária tinha centenas de poemas que eu lhe escrevia, e eu só a certeza de que só havia um único apaixonado, o que era estranho já que estudávamos na mesma sala de aula e isto por mais de três anos, maravilhosos anos dourados.
Tivemos nós dois, um dia, de nos separar, ela mudou-se para uma cidade muito longe e eu para outra. Mas nossos parentes continuavam na sua maioria naquele lugarejo.
Num tempo que nem me lembro tínhamos por volta de dezesseis para dezessete anos, o destino nos fez encontrar novamente, eu sempre apaixonado e ela como sempre me ignorando. Foi então que nestas oportunidades da vida que só acontecem uma vez, nos encontramos em um clube que existia na cidade naquela época. Estava na mesa com alguns amigos e ela então começou a dançar com uma pessoa, eu então num rompante de heroísmo disse a todos na mesa, chegou a minha vez de ter o meu momento na história.
Levantei-me da mesa, arrumei a gola da minha camisa, levantei a calça, fui em direção a eles determinado. Bati no ombro do companheiro de dança dela e disse: __Agora é minha vez! Parecia que todo o salão me olhava, o rapaz me olhou e como quem não tivesse outra coisa a fazer, deu-me as mãos da minha amada. Imediatamente a segurei forte, não sei qual a música romântica que tocava, pois só prestava atenção numa coisa, no olhar da minha querida Januária. Não sei o que ela pensava naquele momento. Mas eu sei o que eu pensava. Finalmente tenho em minhas mãos o amor que me inspirou durante meus tenros anos adolescentes. Enquanto dançava com ela, vieram a minha mente as tantas vezes em que quis aquele momento, em que quis todos os momentos com ela. Não durou muito a música e conseqüentemente a dança, depois daquele dia só a veria mais uma vez, depois disso nunca mais a vi, e agora quando já se passaram mais de 22 anos, lembrar-me deste fato me deixa muito feliz, pois foi na noite em que dancei com Januária que eu descobri que eu podia ir além do que eu pensava que sempre pudesse ir.
William Vicente Borges
Outono de 2006
Taubaté – SP
Sempre me recordo da minha adolescência com muita alegria. Meus anos adolescentes foram cheios de pureza e ternura. Dentre tantos acontecimentos maravilhosos, estão minhas desventuras de rapaz feio, poeta e apaixonado. Morava no interior num lugarejo que caberia numa caixa de sapatos, onde todos conheciam a todos, um lugar maravilhoso para quem gostava de sonhar e escrever como eu. Aos treze anos me apaixonei perdidamente por uma jovenzinha lindinha chamada Januária, disparado era a menina mais bonita da região. È impressionante como eu consegui viver momentos inusitados por causa deste amor. Não sei mais onde ela está, mas sempre me lembrarei com carinho dela.
Nesta história de amor só havia um que amava, eu. Ela não poderia gostar de mim, afinal, ela estava fadada ao sucesso e eu a uma vida tão incerta como a direção das folhas que são levadas pelo vento. Não irei falar das muitas e muitas situações cômicas em que este amor me levou. Quero falar sim de uma noite em particular. Minha timidez era reconhecida por todos, tanto que todos sabiam que eu era apaixonado por ela, inclusive ela é claro, mas jamais tive a coragem suficiente de investir neste amor. Januária tinha centenas de poemas que eu lhe escrevia, e eu só a certeza de que só havia um único apaixonado, o que era estranho já que estudávamos na mesma sala de aula e isto por mais de três anos, maravilhosos anos dourados.
Tivemos nós dois, um dia, de nos separar, ela mudou-se para uma cidade muito longe e eu para outra. Mas nossos parentes continuavam na sua maioria naquele lugarejo.
Num tempo que nem me lembro tínhamos por volta de dezesseis para dezessete anos, o destino nos fez encontrar novamente, eu sempre apaixonado e ela como sempre me ignorando. Foi então que nestas oportunidades da vida que só acontecem uma vez, nos encontramos em um clube que existia na cidade naquela época. Estava na mesa com alguns amigos e ela então começou a dançar com uma pessoa, eu então num rompante de heroísmo disse a todos na mesa, chegou a minha vez de ter o meu momento na história.
Levantei-me da mesa, arrumei a gola da minha camisa, levantei a calça, fui em direção a eles determinado. Bati no ombro do companheiro de dança dela e disse: __Agora é minha vez! Parecia que todo o salão me olhava, o rapaz me olhou e como quem não tivesse outra coisa a fazer, deu-me as mãos da minha amada. Imediatamente a segurei forte, não sei qual a música romântica que tocava, pois só prestava atenção numa coisa, no olhar da minha querida Januária. Não sei o que ela pensava naquele momento. Mas eu sei o que eu pensava. Finalmente tenho em minhas mãos o amor que me inspirou durante meus tenros anos adolescentes. Enquanto dançava com ela, vieram a minha mente as tantas vezes em que quis aquele momento, em que quis todos os momentos com ela. Não durou muito a música e conseqüentemente a dança, depois daquele dia só a veria mais uma vez, depois disso nunca mais a vi, e agora quando já se passaram mais de 22 anos, lembrar-me deste fato me deixa muito feliz, pois foi na noite em que dancei com Januária que eu descobri que eu podia ir além do que eu pensava que sempre pudesse ir.
William Vicente Borges
Outono de 2006
Taubaté – SP
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